
A amamentação é um processo fisiológico natural, que constitui a melhor forma de alimentar, proteger e amar o bebé. O leite materno é o alimento mais completo para o recém-nascido. Assim, a amamentação favorece o desenvolvimento do bebé e reforça o vínculo afetivo entre a mãe e o filho. Poucos momentos são tão sublimes e íntimos quanto a amamentação de um filho. Quando a mãe amamenta o seu bebé, está a desenvolver com ele uma ligação profunda, oferecendo segurança, dando e recebendo amor. O bebé sente-se amado e em segurança. O calor, a voz, o odor, o contato com a pele e o seio materno dão ao bebé um prazer e uma tranquilidade importante para o seu desenvolvimento emocional. Normalmente as crianças que mamaram tendem a ser mais tranquilas e de socialização mais fácil durante a infância.
A amamentação do bebé tem também vantagens para mãe: ajuda a proteger a sua saúde, ajuda a contração e recuperação do útero reduzindo o risco de hemorragia depois do parto, reduz o risco de desenvolvimento de neoplasias da mama e ovários e contribui para o planeamento familiar.
As primeiras semanas de vida do bebé são um período de aprendizagem da amamentação, para a mãe e para o bebé. Assim, algumas orientações, a paciência e a prática podem contribuir para uma amamentação com sucesso.
Assim, normalmente o bebé é colocado ao colo da mãe ainda na sala de parto, de modo a estimular a procura do peito e a amamentação o mais precocemente possível.
A maioria dos bebés consegue mamar pela primeira vez entre os 30 e os 120 minutos após o nascimento. A importância desta primeira mamada está relacionada com o estado de alerta do bebé que é mais favorável e contribui para a aprendizagem do ato de mamar.
Nos primeiros dias de vida o bebé acorda ou dá sinal que pretende mamar com uma regularidade variável, até adotar o seu padrão de alimentação. A amamentação é mais fácil para a mãe e para o bebé quando este não tem ainda muita fome mas já está interessado em mamar. Assim, é preferível iniciar a amamentação antes do bebé começar a indicar com choro que pretende mamar. A mãe deve procurar identificar expressões do seu bebé que indiquem o interesse pela amamentação, nomeadamente expressões de olhar, a boca aberta, movimentos da língua e das mãos, entre outros.
Assim, quando os bebés são alimentados ao peito logo após o nascimento, o volume de leite produzido aumenta substancialmente ao 3º ou 4º dia e a mãe passa a sentir o peito cheio, pesado ou quente quando se aproxima a altura ideal para remover o leite.
Também a partir desta altura, cerca do 5º a 6º dia após o nascimento, o bebé começa a ganhar peso, recuperando o seu peso ao nascer próximo do final da 2ª semana de vida.
Quando ocorre a subida do leite é importante que este seja removido do peito, alimentado o bebé ou através de técnicas de extração. O ingurgitamento mamário causado pelo aumento do volume do leite pode provocar algum desconforto e pode tornar difícil para o bebé conseguir mamar quando o peito, a aréola e o mamilo parecem repuxados e planos devido à distensão provocada pelo leite. Nestas circunstâncias pode ser adotadas algumas medidas para ajudar o bebé a pegar no mamilo, nomeadamente:
As refeições do bebé devem ter uma duração mínima e máxima de 10 e 30 minutos, respetivamente, distribuídas pelos dois peitos e não contabilizando intervalos que o bebé deseje fazer. O ritmo da mamada é dado pelo bebé. Há bebés que mamam sem interrupção durante 10 a 15 minutos; outros demoram 20 a 35 minutos no primeiro peito, porque fazem pausas durante a mamada. Normalmente o bebé mama no segundo peito durante um período de tempo mais curto. Sempre que na mesma refeição o bebé não queira mamar no segundo peito, na mamada seguinte este deve ser oferecido em primeiro lugar.
A duração da lactação e o volume de leite produzido sofrem influências hormonais importantes. No entanto, a presença do bebé, o ato de mamar, a quantidade de leite mamada e o bem-estar da mãe são também determinantes.
O bolsar é a expulsão de leite pela boca, devido ao movimento do conteúdo do estômago em sentido oposto ao normal. Pode acontecer quando o bebé arrota ou espontaneamente. Ocorre em praticamente todos os recém-nascidos e não tem qualquer significado especial, quando as quantidades bolsadas são pequenas. No entanto, se estas forem excessivas, deve ser investigada a causa do bolsar, pois pode levar à aspiração do leite, apneia, bradicardia e pneumonia por aspiração.
Para que o bebé não tenha tendência a bolsar, deve arrotar a meio e no final das refeições. É também favorável manter a cabeceira do berço ligeiramente elevada.
No recém-nascido saudável a cólica é uma situação caracterizada por choro excessivo, associado a sinais de dor, dobrar frequente das pernas em direção à barriga e, por vezes, emissão de gases. As cólicas são recorrentes e entre os seus episódios a criança está confortável. São mais comuns e intensas durante o primeiro trimestre de vida.
Quando um bebé chora muito, depois de excluídas outras causas de dor e concluindo que o choro se deve a cólicas, os pais devem manter-se calmos e tentar ajudar o bebé, adotando algumas medidas e truques, entre os quais:
Em alguns casos em que se justifique, o pediatra poderá também aconselhar alguma medicação que ajude a acalmar e aliviar as cólicas. Lembre-se sempre que o bebé não sabe o que está a acontecer e que necessita de calma e carinho para o ajudar.
O leite materno é o melhor alimento para o bebé. A amamentação tem vantagens também para a mãe!
Até aos quatro meses de idade, o bebé deve ser alimentado apenas com leite, preferencialmente materno.
Quando, por qualquer razão, a mãe não pode amamentar o bebé, é necessário recorrer a um leite próprio para lactentes; para os bebés prematuros ou com problemas existem formulações especiais. Os leites destinados a substituir o leite materno designam-se leites adaptados.
A diversificação alimentar inicia-se geralmente cerca dos quatro meses de idade. A ordem em que os novos alimentos são introduzidos na dieta não é rígida, o regime alimentar deve ser adaptado às necessidades e preferências de cada criança. Em termos globais, podem ser seguidas as orientações e regras abaixo indicadas:
Comece por substituir uma das refeições diárias de leite por papa sem glúten.
As papas não lácteas (que não têm leite na sua formulação) são preparadas com o leite que o bebé toma habitualmente; as papas lácteas (que já têm leite na sua formulação) são preparadas com água e são as preferidas para os bebés alimentados com o leite da mãe. Não junte papa ao leite do biberão; dê sempre a papa ao bebé à colher.
Substitua outra refeição de leite por uma sopa de legumes reduzidos a puré, confecionada em casa. Para a primeira sopa use apenas batata e cenoura; três a quatro dias depois, comece a introdução de outros legumes (por exemplo, alface, abóbora, agrião, alho francês, feijão verde, brócolos, couve-flor). Respeite um intervalo de uma semana entre a introdução de cada legume novo. Tempere a sopa com um pouco de azeite, adicionado no final da cozedura. Não use espinafres, nabo, beterraba, tomate, cebola e leguminosas na sopa do bebé. Não adicione sal. Em média, o bebé deve comer inicialmente 150 a 180 mL de sopa, quantidade que depois deve ser aumentada progressivamente.
Comece a dar fruta: maçã ou pera crua (ralada ou esmagada), cozida ou assada, ou banana bem madura, na mesma refeição da sopa.
Inclua carne na sopa, numa quantidade de cerca de 20 g por refeição (equivalente a uma colher de sopa de carne picada). Comece por carnes magras (frango, peru) e só depois passe para o borrego, vaca e coelho. A carne deve ser cozida em separado e o caldo não deve ser aproveitado para o bebé.
Pode começar a usar papas com glúten e a oferecer novos frutos (uvas e ameixas).
Nesta altura o bebé deve começar a comer duas refeições diárias de sopa, carne e fruta; os alimentos devem ser cada vez menos triturados. Pode começar a oferecer iogurte natural, a que pode acrescentar fruta madura ralada. Pode também oferecer outros frutos como melão, meloa, manga e papaia. Não dê citrinos, kiwis, morangos, amoras e framboesas.
Comece a introduzir peixe (pescada, maruca, solha ou linguado), fresco ou congelado, numa quantidade de cerca de 20 g por refeição. O peixe deverá ser cozido separadamente da sopa e ser oferecido misturado com esta. Pode também começar a dar gema de ovo cozida (começar por um quarto de gema, depois meia e mais tarde a gema inteira), não ultrapassando duas a três vezes por semana. Pode oferecer queijo de tipo flamengo.
Nesta altura, o leite pode ser alterado para outro adequado à idade. Pode introduzir na dieta leguminosas (por exemplo, feijão, grão e lentilhas), citrinos, ovo inteiro e carne de porco magra. Os alimentos devem ser dados em pequenos pedaços e separados por sabores, ou seja, a sopa, o segundo prato e a fruta. A partir de agora, a dieta da criança será progressivamente semelhante à da família.
O banho é, em geral, um momento muito importante e apreciado pelo bebé e pelos pais. É um momento de interação, ternura e brincadeiras, que fortalece os laços afetivos. Devem ser tomadas em conta as seguintes indicações relativamente ao banho do bebé:
Durante o primeiro mês de vida, o rosto do bebé deve ser lavado após o banho:
A zona do coto umbilical deve estar sempre limpa e seca, o que contribui para evitar sinais inflamatórios ou de infeção. Até o coto umbilical cair, o que acontece normalmente cerca da primeira semana de vida, a zona do umbigo requer cuidados especiais:
A fralda deve ser mudada sempre que estiver suja. É muito importante manter toda a zona bem limpa e seca:
O eritema das fraldas, dermatite de contacto ou assadura é o aspeto avermelhado, irritado e por vezes com alguma descamação e pequenas feridas na pele das nádegas e órgãos genitais, ou seja na região coberta pelas fraldas. Deve-se à acidez das fezes e da urina, pelo que quanto mais prolongado for o contacto daquela região com a fralda suja, maior será a probabilidade de ocorrer eritema das fraldas. Este pode provocar ardor na região atingida. Assim, é normal que o bebé chore, pareça incomodado ou esteja inquieto, nomeadamente quando é realizada a sua higiene.
O aparecimento do eritema das fraldas pode ser evitado com medidas de higiene adequadas, nomeadamente:
Estas medidas devem ser reforçadas quando o bebé já tem eritema das fraldas; caso persista deve procurar o médico.
Designa-se crosta láctea ou dermatite seborreica a presença de crostas de coloração amarelada no couro cabeludo do bebé, atingindo também, por vezes, as sobrancelhas e as orelhas. É muito comum nos recém-nascidos e deve-se a uma secreção excessiva de gordura pelos folículos pilosos daquelas regiões.
A crosta láctea não causa qualquer incómodo ao bebé, tem apenas uma aparência desagradável. Acaba por desaparecer naturalmente antes do ano de idade. Este processo pode ser ajudado amolecendo as crostas com massagens suaves, usando óleo de amêndoas doces ou vaselina, e tentando removê-las cuidadosamente com um pente de pontas arredondadas durante o banho do bebé.
A icterícia é uma coloração amarelada da pele e olhos que traduz um nível elevado de bilirrubina no sangue.
A bilirrubina é um pigmento que resulta da degradação dos glóbulos vermelhos (células do sangue que transportam oxigénio) e que é metabolizado no fígado. Durante a vida uterina o feto pode produzir mais glóbulos vermelhos do que necessitará depois de nascer. Assim, depois do nascimento, esses glóbulos vermelhos excedentários são destruídos pelo organismo do bebé e, uma vez que a bilirrubina se encontra entre os seus constituintes, é libertada na corrente sanguínea. Quando a concentração de bilirrubina ultrapassa a capacidade de metabolização pelo fígado, o seu nível no sangue aumenta e a partir de determinados níveis dá origem à coloração amarelada da pele e dos olhos do bebé.
A icterícia do recém-nascido surge durante a primeira semana de vida, ocorre em cerca de 60% dos bebés de termo e é ainda mais frequente nos bebés prematuros. Se a icterícia persiste para além dos primeiros 10 dias vida ou reapareceu, existe normalmente uma razão específica que implica a realização de uma investigação complementar.
A conjuntivite do recém-nascido caracteriza-se por um edema das pálpebras, especialmente da pálpebra superior e pela presença de uma secreção amarelada, mais frequente no canto interno dos olhos.
Quando a conjuntivite surge nas primeiras 12 a 48 de vida e se mantém apenas até às 24 a 48 horas, resulta normalmente de uma irritação química e não requer qualquer tratamento.
Se a conjuntivite se mantiver durante mais tempo, o bebé deve ser observado pelo pediatra pois pode tratar-se de uma infeção com necessidade de tratamento específico.
Dado que as conjuntivites são muito comuns nos bebés, é importante que os olhos sejam mantidos bem limpos, usando para tal uma compressa embebida em soro fisiológico, passada num movimento de fora para dentro uma única vez.
A obstrução nasal (conhecida vulgarmente como nariz entupido) é um problema muito comum e incomodativo para os bebés. Impede que respirem normalmente pelo nariz, o que lhes pode provocar incómodos adicionais, como por exemplo cólicas.
O facto de os bebés permanecerem deitados durante muito tempo tende a agravar o problema.
Uma atmosfera húmida é muitas vezes suficiente para resolver o problema de obstrução nasal.
Quando não é possível controlar desta forma a obstrução nasal, ou quando o bebé apresenta outros sintomas, deve ser consultado o pediatra.
A febre é uma temperatura corporal superior à normal. A temperatura corporal varia com diversos fatores, entre os quais a idade, o grau de atividade, a altura do dia e o local do corpo onde é medida. Considera-se que uma criança tem febre quando a sua temperatura corporal atinge os valores indicados no quadro seguinte:
Idade |
Menos de 3 meses |
Entre 3 e 24 meses |
Mais de 24 meses |
|
| Local da Temperatura | Reto | > 38º C | > 38,3º C | > 38º C |
| Axila | > 37,2º C | > 37,5º C | > 37,2º C | |
| Canal auditivo externo | > 37,5º C | > 37,8º C | > 37,5º C |
Durante os primeiros anos de vida, as crianças podem ter febre em várias circunstâncias sem que isso, por si só, deva ser motivo de preocupação. Em regra, a febre isolada não é perigosa e o grau de aumento da temperatura acima do normal (febre) não é um indicador direto da gravidade da doença da criança.
A febre pode ser causada por situações diversas, entre as quais o excesso de roupa, a prática de exercício físico vigoroso, a exposição a ambientes quentes e a exposição a infeções de origem viral ou bacteriana. No contexto de resposta do organismo a uma infeção, a febre conduz à ativação do sistema imunológico que permitirá à criança defender-se do agente infeccioso.
Quando se suspeite de febre numa criança, deve ser medida a temperatura corporal, com um termómetro, num dos seguintes locais:
O tratamento da febre tem como objetivo evitar o desconforto e as complicações associadas ao aumento da temperatura corporal. Para tentar baixar a temperatura corporal de uma criança deve-se:
Para as crianças mais velhas, sempre que a temperatura corporal seja igual ou superior a 40°C, deve ser contactado o médico assistente.
Nas restantes situações de febre, é muito importante vigiar a criança e o seu comportamento, de modo a conseguir determinar a gravidade da doença. Esta avaliação do estado geral da criança permitirá obter indicadores mais fidedignos da gravidade da situação do que apenas o grau de aumento da temperatura corporal, já que algumas alterações físicas ou comportamentais poderão indiciar uma doença grave.
Em resumo, deve ser procurada assistência médica com urgência para as crianças que:
A dermatite atópica é uma condição inflamatória crónica da pele, caracterizada por comichão, pele seca e manchas vermelhas (eritema). Os sintomas surgem geralmente antes dos cinco anos e distribuição da dermatite (também designada por eczema) varia com a idade.
Nos bebés afeta predominantemente os braços, pernas, região abdominal, face ou couro cabeludo.
Nas crianças mais velhas atinge sobretudo região cervical, a flexura dos antebraços e a região posterior dos joelhos.
O tratamento passa, fundamentalmente, pela hidratação correta e frequente da pele, para evitar agudizações da dermatite atópica.
O reflexo de sucção surge entre a 18ª e 20ª semanas de vida fetal, sendo visível em algumas ecografias fetos a chuchar no dedo.
A sucção, além de ser uma forma de conseguir alimento também ajuda a relaxar o bebé, motivo pelo qual o uso da chupeta, dedos ou língua, gera conforto e acalma o bebé.
MITOS E FACTOS
Não. Na verdade pode até ser prejudicial privar o bebé da chupeta. Se este procura o conforto através da chupeta, não oferecê-la irá fazer com que procure outras formas que lhe proporcionem essa mesma sensação, como chuchar no dedo, língua, fronha da almofada ou ranger os dentes. Qualquer destas é mais prejudicial do que a chucha. Ou seja, se o bebé identifica a sucção como uma fonte de prazer, a chupeta é simplesmente a forma preferencial de lho proporcionar.
Durante o 1º ano de vida pode oferecer-se a chucha, devendo a sua utilização ser diminuída gradualmente até aos 2 anos. Após o 3.º ano, o uso da chucha pode ter efeitos prejudiciais na oclusão dentária, levando à deformação da arcada dentária, mordedura cruzada, situações que poderão criar atrasos na linguagem, problemas na mastigação ou na dicção.
A introdução de chupeta deve ser adiada até à 3ª semana de vida, quando a amamentação estiver bem estabelecida, evitando confusão entre seio materno e bico da chucha (ainda que haja bebés os consigam distinguir desde logo).
Segundo a Academia Americana de Pediatria, a chucha tem um efeito protetor da morte súbita, uma vez introduzida após a 3ª semana de amamentação e apenas durante o sono.
O uso contínuo da chucha pode levar a uma expiração prolongada. O bebé passa a respirar pela boca, agravando a elevação do palato (céu da boca), diminuindo o espaço aéreo dos seios da face e gerando desvios no septo nasal. A respiração oral leva ainda a uma diminuição da produção de saliva, bem como a migração das bactérias das secreções nasais para o ouvido médio, com risco de otite média aguda, rinites e amigdalites.
É importante analisar os prós e contras da utilização da chucha e decidir, com o pediatra, o melhor para cada criança. A chucha é, na maioria dos casos, a melhor solução para responder a um reflexo que quase todos os bebés apresentam: a sucção.
Se o bebé rejeitar a chucha não deve ser forçado a aceitá-la, há outras formas de o acalmar e confortar: pegar-lhe ao colo, falar-lhe, ou simplesmente dar-lhe atenção.
Existem chupetas convencionais ou ortodônticas, de silicone ou látex, para cada idade.
Devem ser lavadas com água, esterilizadas a cada 3-5 dias e trocadas a cada mês.
Nos primeiros meses de vida, os bebés dormem muito, apesar de os pais acharem que estão sempre a acordar. Os recém-nascidos, por exemplo, dormem cerca de 16 horas por dia.
Para dormirem tranquilamente, os bebés devem ser deitados de barriga para cima, porque assim respiram mais facilmente.
Os bebés dormem melhor, também, se não tiverem objetos desnecessários à sua volta (como almofadas, bonecos, etc.).
O leite é produzido na glândula mamária. Durante a gravidez as estruturas da glândula mamária responsáveis pela produção de leite sofrem um desenvolvimento importante e adquirem capacidade para produzir leite. No entanto, até ao nascimento do bebé essa produção é impedida por hormonas que durante a gestação se encontram em níveis elevados na circulação sanguínea da mãe.
Depois do parto, os níveis dessas hormonas no sangue diminuem e a glândula mamária começa então a produzir leite continuamente e a armazená-lo, até ser removido pelo bebé quando mama, ou de outra forma.
O leite materno é um alimento completo para o bebé. Além do seu valor alimentar, tem propriedades imunológicas importantes.
O leite materno é rico em nutrientes que promovem o crescimento e desenvolvimento normais do bebé. A composição do leite materno vai-se alterando ao longo da lactação, de modo a que possa cobrir as necessidades do bebé. Além da sua constituição equilibrada em proteínas, hidratos de carbono, minerais e outros nutrientes, o leite é veículo da água necessária para manter o bebé bem hidratado. Por outro lado, o leite materno é o alimento de digestão mais fácil que o bebé pode receber; a biodisponibilidade elevada dos nutrientes do leite materno permite a sua melhor digestão, absorção e utilização. O leite materno promove também o desenvolvimento no intestino da criança de Lactobacillus, microrganismos que fermentam o hidrato de carbono do leite (lactose) tornando as fezes mais frequentes e menos consistentes, principalmente nas duas primeiras semanas de vida. Estes microrganismos contribuem também para que não se instalem outras bactérias que possam causem diarreia.
As propriedades imunológicas do leite materno devem-se a particularidades da sua composição. Os bebés amamentados têm significativamente menos infeções gastrointestinais, respiratórias e urinárias. Os anticorpos do leite materno têm uma ação protetora direta contra a infeção que os produziu. Existem também no leite outros fatores anti-infeciosos que criam um ambiente amigável para a flora normal e hostil para a flora patogénica. O leite materno possui ainda propriedades que ajudam o desenvolvimento do sistema imunológico do bebé.
Os problemas mamários mais comuns durante a amamentação natural incluem os mamilos dolorosos e/ou com fissuras, o ingurgitamento mamário, o bloqueio dos ductos mamários e as mastites.
A causa mais comum destes problemas é uma má adaptação do bebé à mama, nomeadamente, quando mama apenas no mamilo e não no mamilo e aréola. As fissuras podem estar presentes na extremidade ou na base do mamilo.
Ingurgitamento mamário é a designação aplicada às mamas endurecidas, muito aumentadas, vermelhas e quentes. Acontece, em geral, no segundo ou terceiro dia depois do parto, com a subida do leite. Pode provocar algum desconforto e pode ser difícil para o bebé conseguir mamar num mamilo e aréola que ficam repuxados pela distensão provocada pelo leite.
Os ductos mamários são os canais de drenagem do leite. Por vezes ocorre o seu bloqueio durante a subida do leite, formando-se um nódulo que impede a passagem do leite, acompanhado de dor e vermelhidão localizadas.
Uma mastite é uma infeção mamária. Pode surgir na sequência do bloqueio dos ductos mamários e de fissuras mamárias.
Caracteriza-se por um aumento da tensão mamária, vermelhidão e calor ao toque.
O leite pode apresentar alterações visíveis de consistência e de cor, nomeadamente presença de sangue ou pus, situação em que não deve ser usado para alimentar o bebé. Em caso de suspeita de mastite devem ser procurados cuidados médicos.
Esvaziar a mama afetada, manualmente ou com bomba, e assegurar o esvaziamento completo.
Evitar a pressão de peças de vestuário justas.
Caso a mastite seja unilateral, estimular a amamentação na mama não afetada.
Aplicar frio local para aliviar a dor.
Durante a amamentação a mãe não necessita de uma dieta especial. Deve sim, ter uma dieta variada e equilibrada, procurando totalizar cerca de 2000 calorias por dia, e ingerir bastantes líquidos (água, leite e sumos naturais). As mães vegetarianas, total ou parcialmente, poderão necessitar de alguns suplementos alimentares, pelo que deverão aconselhar-se com o seu médico sobre este aspeto.
A ingestão de bebidas que contenham álcool, cafeína ou outros compostos excitantes deve ser evitada. O seu eventual consumo não deve ser realizado próximo das mamadas. Deve procurar-se que seja feito depois destas e que o bebé só volte a mamar pelo menos duas horas depois.
Deve ser evitado o consumo de tabaco que provoca no bebé um aumento da frequência cardíaca, náuseas, vómitos e diarreia. As doenças respiratórias são mais frequentes nos filhos de pais fumadores, independentemente do tipo de alimentação. O tabaco pode também reduzir a produção de leite. Caso a mãe não consiga deixar de fumar, deve escolher tabaco com baixo nível de nicotina, reduzir ao máximo o seu consumo e, se o fizer, deve ser imediatamente depois das refeições do bebé, uma vez que a quantidade de nicotina no leite diminui passadas duas a três horas.